31.8.05

A.B.O.U.T. B.E.H.A.V.E.


Amor: viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objeto da nossa afeição; paixão; afeto; inclinação exclusiva;
- captativo: vd. amor possessivo; - conjugal: amor pelo qual as pessoas se unem pelas leis do matrimônio; - oblativo: amor dedicado a outrem; - platônico: intensa afeição que não inclui sentimentos carnais; - possessivo: amor que leva a subjugar e monopolizar a pessoa que se ama; o m. q. amor captativo.

O amor que aprendemos, que somos programados desde muito pequenos, que vemos na TV e que depois, mais tarde na adolescência, passamos a sentir e expressar – o amor renascentista – é realmente um sentimento ou um comportamento?

Um comportamento por quê? Talvez por sermos programados a encontrar aquela pessoa e daí abdicar de coisas por ela. Sonhar, projetar planos ao lado dela, assim como nossos pais. Vemos filmes cujos finais, em sua grande maioria, os casais terminam felizes. Contentes e realizados depois de sofrer muito, ou seja, a gente encontra o grande amor depois de “comer o pão que o diabo amassou”.

Daí você encontra e espera que tudo seja lindo e romântico, como em um quadro renascentista. Isso é a forma que muitos de nós vemos o amor. Como um comportamento de fidelidade sexual, mental e espiritual. “Eu te amo” Já escutou isso? Pois então. E nessas três palavrinhas o que está intrínseco? Te amo, sou fiel e quero dividir minha vida com você e abdicar de muito por você e ter uma vida mais maravilhosa possível ao seu lado e só você me basta e muito mais...

Uma amiga soltou um dia desses, no ápice do *, um “eu te amo”. Ficou preocupada com o que tinha falado. Simples. De repente, o que sentia naquela hora, além do prazer, era amor e isso não significa que tem que ser eterno ou durar mais que 30 minutos. Quem é ela ou eu pra julgar isso. Ah por que Fulano não ama Beltrano, para os seus parâmetros talvez não, mas quem é você pra julgar esse comportamento ou sentimento?

Acho que não estou me explicando direito. O que quero dizer é que sentimento ou comportamento de amor é estritamente pessoal e intransferível. Como uma digital, cada um tem uma forma de sentir ou comportar. É errado definir um único comportamento como padrão. Ame do jeito que quiser, na quantidade de horas e minutos que quiser e não se preocupe com o que ele pensa. E, se ele falar, não se preocupe: é uma projeção do sentimento ou comportamento dele que é diferente do seu, do meu.

É isso que chamo de química.

24.8.05

A.B.O.U.T. T.R.U.E. L.I.E.S.


Você já ouviu mentiras e, sabendo que são mentiras, acreditou por ser conveniente, burro ou masoquista?

O que acontece quando não se acredita mais nelas? Acontece um vazio imenso, uma sensação de “pra onde que eu viro?”. Um momento onde, de repente, se cria outras falsas verdades que aqui deixam de ser o substantivo mentira por que assim se quer auto-enganar. Complicado... Isso acontece com elogios, relacionamentos, até nossa visão de nós mesmos...

Juju chamaria de Teoria do Auto-Engano... Talvez auto-enganar seja um caminho que tomamos no dia a dia. O fato dele não ligar todo dia e acreditarmos que estava ocupado ou ficou sem bateria. Aprenda algo na vida: quem quer, LIGA! Quem quer se faz presente. Isso vale pra uma sucessão de dois bolos que um amigo levou da mesma pessoa... Claro que, além de reforçar essa tese, mostra um cara sem a menor noção de educação. Pois meu amigo não acordou com e-mail elegante seguido por flores ao decorrer do dia.

Essa é uma teoria inerente a todos que se apresentam, em porcentagens grandes ou pequenas... Eu me engano. Aliás, tenho me enganado constantemente e quando se descobre esse hábito, não se sabe o que fazer com a tal descoberta. Na verdade, descobertas desde os primórdios da história sempre guiam a civilização para outro tempo. No meu caso estou inerte. Pelo menos por enquanto...

20.8.05

A.B.O.U.T. C.O.M.M.I.T.E.D.


É básico: não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você... Baseado nisso nunca me envolvi com homens comprometidos. Afinal não gostaria que meu namorado saísse se envolvendo por aí com outros. Fui descobrindo com o tempo que é uma questão muito mais sutil do que simplesmente lei de retorno. Delicada uma situação aonde levamos em conta o nível do relacionamento, a situação sexual e amorosa da relação e a co-dependência de ambos, costume e inércia dentro da história. Alguns esperam uma decisão divina para que aconteça mudanças, outros vão buscar. Existem os que atribuem ao terceiro lado do triângulo as expectativas de mudança... Ponderar isso pode ser – e é muito provável que seja – um parágrafo da teoria do auto-engano. Devemos lembrar, antes de ponderar ou seguir qualquer mandamento pessoal, que cada pessoa possui seu ritmo, sua primavera. E às vezes são diferentes da sua. Respeitar o ciclo dos outros é fundamental em todos os relacionamentos. Fundamental desde o vizinho, pais até namorados. Inclusive pretendentes a tal.

Não se pode, também, sair por aí nessas situações julgando o caráter dos outros. Mesmo por que, se você se aproximou, continua se aproximando e permitindo mais aproximação, seu coração e corpo já deixaram de julgar a muito tempo... Como somos seres racionais, articulados, dedutivos e inteligentes – pelo menos nos julgamos assim – não devemos deixar esses sentimentos primitivos fazerem frente a outros. Como somos seres incoerentes, com certeza não vamos nos lembrar disso e acreditaremos que, dessa vez, será diferente.

Vi isso no filme Closer. Muitas pessoas me falaram bem do filme, que tinha uma história que prendia e tal... Nada mais é do que a vida de muitos que já vi por aí... Casais acomodados com a estabilidade e que com isso machucam uns aos outros deliberadamente e a si próprios por vaidade e comodidade. Não consegui ver beleza nisso. Talvez por ser real e atual...

Viva, não julgue e em hipótese alguma maltrate os outros ou você mesmo. Se for possível...

18.8.05

A.B.O.U.T. T.O. C.O.O.K. 2


Um dia desses estava fazendo uma torta de chocolate e descobri que faltava café em pó... Não usamos café em pó aqui, precisei pedir na minha vizinha. Ela me disse que também não usava, mas tinha de uma receita que usou e não sabia se estava bom. Enfim, usei e ficou bom. Aliás, muito bom! Isso me remeteu a idéia de pegar algo para nós, mesmo que emprestado. Café, xícaras de açúcar, gelo do vizinho, sal e o namorado. Tentei disfarçar o namorado no meio dos ingredientes, mas não tem como. Principalmente quando ele é moreno, alto e adora chocolate.

Um tanto estranho se relacionar com o café de outra pessoa, ou melhor, o namorado ou melhor ainda, o namorado de outra pessoa. Mas afinal, Giovana não usava mesmo o café; e, de mais a mais, vai que o outro não usa o namorado! Ou até de repente não é feliz ou é inerte, acomodado com a relação viciado na estabilidade.

Estou realmente, pela primeira vez na minha vida, inventado mil maneiras e desculpas esfarrapas de se preparar Neston e justificar o café. Na verdade não preciso justificar, afinal o café na minha torta tem muito mais funcionalidade do que no armário dela... O café ficaria bem melhor entre as camadas de chocolate do que no pacote preso com pregador de roupa. Até o dia que seu relacionamento perdesse a validade e o sabor descrito no pacote do café. Inerte no escuro do armário!